






Num dia em que a morte de Steve Jobs está a marcar as notícias, já foi revelado o novo Prémio Nobel da Literatura: o poeta sueco Tomas Tranströmer. O psicólogo e tradutor, tem 80 anos e a sua poesia é muito influente no seu país de origem. Traduzido em mais de 30 línguas, ficou afásico e hemiplégico na sequência de um AVC em 1990. Este prémio tem um valor ainda mais importante visto que desde 1996 que a poesia não era premiada pela Academia Sueca. Era já um dos grandes favoritos a ser laureado no passado ano, quando foi Mário Vargas Llosa o escolhido. Entre os motivos para esta distinção, a Academia destaca que "através das suas imagens translúcidas e condensadas, o poeta dá-nos um novo sentido à realidade". Entre os poemas do autor encontram-se dois particularmente íntimos do nosso país: "Funchal" e "Lisboa", que publicarei nos próximos dias. Infelizmente, este ano não posso deixar as informações sobre as obras traduzidas para português... porque elas não existem. Esperemos que o Nobel seja o motor para que as editoras portuguesas peguem nas obras do poeta.
"Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras mas onde não há uma linguagem;
Dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras.
As páginas em branco dispersam-se em todas as direcções.
Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve.
Linguagem, mas nenhuma palavra."

Este ano o contemplado com o Nobel da Literatura é o escritor de dupla nacionalidade peruana e espanhola, Mario Vargas Llosa. A obra do escritor de 74 anos está marcada pelos regimes e cultura opressivos do Perú e busca a liberdade individual do homem. Escreveu várias obras profundamente autobiográficas. E, ainda por cima, um defensor e aficcionado da Festa Brava. Já ganhou diversos prémios, entre os quais o Prémio Príncipe das Astúrias e o Prémio Cervantes.

O autor é também jornalista e crítico de arte. A sua vida e obra sempre pautados pela política, levaram-no mesmo a candidatar-se às eleições presidenciais no Perú em 1990, das quais saiu derrotado por Alberto Fujimori. O autor é ainda conhecido, a título pessoal, por uma polémica com o autor Garcia Marquez, com o qual cortou relações há vários anos.
Segundo a Academia Sueca, nomeado "pela sua cartografia de estruturas de poder e as suas imagens mordazes da capacidade de resistência, da revolta e da derrota do indivíduo".
A Dom Quixote é a editora que publica em Portugal os livros do autor. Felizmente este é um autor muito publicado no nosso país, pelo que as hipóteses são muitas:
Conversa n' A Catedral
Considerada por muitos a sua obra-prima, consiste numa conversa entre um jornalista e um amigo seu, marcada pela ditadura peruana e onde é traçado um perfil deste país cruel e sem escrúpulos. A marca pessoal de Vargas Llosa está na crítica social dura aliada ao sarcasmo e à sua irreverência.
Os Cadernos de Dom Rigoberto
Um livro profundamente marcado pelo erotismo. Dom Rigoberto tem uma vida dupla, de dia é um cavalheiro respeitável e discreto, mas à noite solta as suas fantasias e leva uma vida infame na cama da sua ex-mulher, registando as suas aventuras eróticas nos seus cadernos.
Travessuras da Menina Má
Uma história de amor em que o protagonista vê todos os seus objectivos postos em causa por um grande amor da adolescência. Um livro sobre o destino, a paixão, a sorte, a dor e o prazer. Um livro, no fundo, sobre o amor em todas as suas facetas.
A Tia Júlia e o Escrevedor
Uma história sobre os escritores e as suas obras, mas também sobre o amor e a importância da diferença de idades.
O Paraíso na Outra Esquina
Um livro que discute o conceito de felicidade através de duas personagens principais, avó e neto, Flora Tristán e Paul Gauguin. Ela uma defensora dos direitos das mulheres e dos trabalhadores, ele um inspirado pintor que odeia convenções sociais e vê no sexo uma musa inspiradora. Ambos numa busca interior pela felicidade.
A Festa do Chibo
Um magistral romance sobre a ditadura da República Dominicana, com personagens que movem os leitores e os prendem à narrativa.
Pantaleão e as Visitadoras
Uma das obras mais divertidas do autor, conta-nos a história de um oficial do exército muito competente e dedicado, Pantaleão Pantoja, que é encarregue de uma missão muito particular: deve organizar em total segredo, um eficiente serviço de prostitutas para os oficiais das Forças Armadas do Perú erradicados em plena Amazónia.

É Herta Müller que sucede a Le Clèzio no Prémio Nobel da Literatura deste ano. A autora é de origem alemã e nasceu em 1953. O prémio foi atribuído devido à "densidade da sua poesia e franqueza da prosa" que retratam o "universo dos desapossados". Mais uma vez, a academia sueca ignorou os favoritos para este prémio, como Amós Oz, Philip Roth ou Joyce Carol Oates e surpreendeu com o anúncio da vencedora. É a 12ª mulher a levar o Nobel para casa.
Escreveu diversos livros sobre as condições da vida na Roménia comunista.
Para os interessados, que acompanham os prémios Nobel, a autora tem duas obras publicadas em português que estão descontinuadas. Porém, e após este prémio, espera-se que voltem muito em breve novas edições às livrarias. As obras são:
- "O homem é um grande faisão sobre a terra", editora Cotovia (1993)
É um relato perturbador sobre a comunidade alemã totalmente desintegrada numa Roménia comunista e opressiva. Descreve o seu duro quotidiano, os seus sonhos e aspirações, os conflitos e as superstições.
- "A terra das ameixas verdes", editora Difel (1999)
É uma obra sofrida sobre as muitas existências em perigo durante a ditadura de Ceausescu. Revela a profunda desumanidade do regime e a sobrevivência no medo e através do silêncio.
Boas leituras "nóbeis"!